Crianças: Porque temos que falar 100 vezes as mesmas coisas?

Quais os pais que não tiveram que repetir milhares de vezes as mesmas coisas? Quais os pais que não tiveram que além de repetir milhares de vezes a frase, “não coloca o dedo na tomada”, também não tiveram que sair correndo para evitar o pior?

Educar é uma tarefa árdua e requer muita paciência. Repetir dezenas, centenas ou milhares de vezes as mesmas coisas é um teste que todos os pais irão enfrentar. Eu concordo que as vezes é cansativo e desgastante, tanto físico como emocionalmente, mas, o que podemos fazer senão continuar repetindo e tendo muita paciência? Pois, quem quer educar tem que investir, e, acima de tudo, amar.

As crianças são como esponjas e absorvam tudo que lhes é ensinado, no entanto, estão desde bebes prontos a testar seus limites. Obviamente, não possuem senso de perigo, o que os tornam grandes exploradores super-radicais. Grande parte do tempo das crianças é vivenciada de forma passiva, sendo trocada, alimentada e levada a diferentes lugares sem terem o controle da situação. No entanto, em momentos lúdicos com os pais, com os avós, com outras crianças querem demostrar suas habilidades e conhecimentos, mostrando que estão no controle, mesmo sem noção dos perigos, ainda que os pais digam milhares de vezes que é perigo e pode machucar.

Alguns pais ou a maioria deles, a partir da chegada dos filhos, irão assistir centenas de vezes o mesmo filme infantil ou programa de tv. Contudo, no universo da criança precisamos entender que em frente à tela eles encaram como uma oportunidade de tornar-se ativos e participantes, repetindo os movimentos, falas, cenas, etc., uma vez que, desde o nascimento só obedecem aos comandos. Enfim, elas precisam se sentirem ativas e terem a certeza que estão recebendo a atenção devida.

Eu não quero nesta coluna tentar explicar patologias, mas sim, comportamentos de impaciência por parte dos adultos, que afetam direta e indiretamente as crianças e tragicamente as ensinam a viverem ansiosas por se tornarem impacientes. Geração fast food ou geração pastelaria... tudo para ontem! A impaciência é hoje uma das maiores destruidoras de relacionamentos de pais e filhos, amigos, cônjuges, entre outros. Os educadores precisam se desdobrar para conseguir conter a ansiedade dos que desejam antecipar o que ainda não é a hora e nem o momento.

O que deveria ser a maior virtude do ser humano hoje se tornou raridade, “a paciência”. Poderíamos atribuir a culpa as gravidezes indesejadas ou as famílias não planejadas, no entanto, não é bem assim que está funcionando. Vemos a impaciência presente em todas as esferas e em grande parte das famílias. Uma locomotiva em alta velocidade sem condições de ser parada. O que poderíamos esperar das próximas gerações se não nos atentarmos a este comportamento?

O resultado já pode ser visto na desestruturação familiar, onde, precisamos de leis e estatutos para estancar a violência e grande brutalidade envolvendo crianças indefesas. Vemos respostas violentas e muito abandono por parte de filhos que não querem ter os devidos cuidados com seus idosos. Onde vamos parar? O que podemos fazer para melhorar?   

Repetir dezenas, centenas ou milhares de vezes as mesmas coisas, as mesmas palavras, as mesmas frases, tudo isso faz parte do ensino e aprendizado saudável. Ensinar com amor é ensinar com paciência. Não pense que está gastando tempo em educar, contudo, pense que este é o seu maior investimento. As crianças testam seus limites todos os dias e anseiam para saberem até aonde podem chegar, cabe aos educadores e pais imporem estes limites. Inclusive ao dizer um “não” explique o porquê do não, isso ajudará a ter clareza na comunicação e no relacionamento. São os pais que escrevem a história dos filhos e só conseguem ter êxito nisso quando fazem com muito amor e muita paciência. Repetir diversas vezes as mesmas coisas, nos nutre, nos alimenta, nos corrige mesmo sem percebermos.

Escrevendo esta última frase me lembrei do relato de um autor desconhecido...
Porquê ir à Igreja?
Um freqüentador de igreja escreveu para o editor de um jornal e declarou que não faz sentido ir aos cultos todos os domingos. “Eu tenho ido à igreja por 30 anos e durante este tempo devo ter ouvido uns 3.000 sermões. Mas, por minha vida, com exceção de um ou outro, eu não consigo lembrar da maioria deles… Assim, eu penso que estou perdendo meu tempo e os pastores também estão desperdiçando o tempo deles”.

Esta carta iniciou uma grande controvérsia na coluna “Cartas ao Editor”, para alegria do editor chefe do jornal, que recebeu diversas cartas, das quais, ele decidiu publicar esta resposta de um outro leitor: “Eu estou casado há mais de 30 anos. Durante este tempo minha esposa deve ter cozinhado umas 3.000 refeições. Mas, por minha vida, com exceção de uma ou outra, eu não consigo me lembrar da maioria delas, mas de uma coisa eu sei, todas elas me nutriram e me deram a força que eu precisava para fazer o meu trabalho. Se minha esposa não tivesse me dado estas refeições, eu e nossos filhos estaríamos desnutridos ou mortos. Da mesma maneira, se eu não tivesse ido à Igreja para alimentar minha alma e de minha família, estaríamos hoje em terríveis condições espirituais”.


Fiz questão de mencionar este relato para mostrar que tudo na vida quer seja no ambiente religioso, familiar, educacional, estudantil, profissional, necessitamos de repetições e isso nos faz muito bem. Eu e você com certeza aprendemos assim e somos gratos por todos que tiveram paciência conosco em nossos momentos de aprendizado. Por fim, reflita sobre isso... faça a sua parte educando e demonstrando seu amor com muita paciência. Excelente dia e que seja muito abençoado. www.gilsoniondo.com.br

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