Sobre o bebê encontrado na lixeira em Osasco

Hoje gostaria de fazer um breve comentário sobre o episódio de ontem, onde a mãe abandonou seu bebê de 8 meses numa lixeira na cidade de Osasco. Graças ao bom Deus uma vizinha viu a movimentação, chamou a polícia e, o conselho tutelar foi acionado para cuidar do bem-estar do bebê, que passa bem. Fico muito feliz pelo trabalho que o Conselho Tutelar tem exercido na cidade e desta vez os competentes conselheiros Rafael e Zeza foram os responsáveis por colocar este bebê em total segurança.

Contudo, como uma mãe tem coragem de abandonar seu próprio filho? Existem muitas perguntas que permeiam nossos corações e entendimento, pois, é difícil acreditar que uma mãe tenha coragem para tal façanha. Por que elas têm esse tipo de comportamento? Por que optam por jogar seus bebês em valas, rios, lixo, ao invés de doá-los às instituições de adoção, caso realmente não os queiram ou não possam criá-los? Perguntas complexas de se responder, mas, estes fatores são exatamente a tecla que venho batendo a algum tempo e com certeza continuarei fazendo. Infelizmente a desestrutura familiar e o desamor são os principais motivos de atitudes como essa, mas, claro que existem muitos problemas relacionados a isto. Vamos entender alguns deles...

Depressão pós-parto (DPP) - é um importante problema de saúde pública, afetando tanto a saúde da mãe quanto o desenvolvimento de seu filho. A manifestação desse quadro acontece, na maioria dos casos, a partir das primeiras quatro semanas após o parto, alcançando habitualmente sua intensidade máxima nos seis primeiros meses. Os sintomas mais comuns são desânimo persistente, sentimento de culpa, alterações do sono, idéias suicidas, temor de machucar o filho, diminuição do apetite e da libido, diminuição do nível de funcionamento mental e presença de idéias obsessivas ou supervalorizadas. A prevalência da DPP está entre 10 e 20% de acordo com a maioria dos estudos sendo que menor escolaridade e baixo nível socioeconômico são os fatores mais comumente associados com o transtorno. Entre os fatores psicossociais que mais apresentam associação aparecem o baixo suporte social, história de doença psiquiátrica, tristeza pós-parto, depressão pré-natal, baixa auto-estima, ansiedade pré-natal, stress na vida, gravidez não planejada, tentativa de interromper a gravidez, transtorno disfórico pré-menstrual e sentimentos negativos em relação à criança.

Drogadição – as drogas licitas e ilícitas, o vício e a dependência são fatores que podem realmente fazer uma pessoa ter atitudes e ações impulsivas por estarem momentaneamente fora de si. Como as drogas encorajam a fazer coisas inimagináveis, assim, a abstinência ou o pós efeito pode trazer outros sentimentos, como tristeza, raiva, medo, preocupação, desespero e depressão profunda. E nestes casos há muitos relatos de maus tratos, abuso, violência, abandono, entre outros.
Gravidez Indesejada - a gravidez indesejada pode ser um problema sério. As vezes a mãe ou a família pode não ter as condições necessárias para abrigar ou cuidar devidamente daquela criança e, é na maioria dos casos assim que a criança fica de um lado para outro, de mãos em mãos, e no fim acabam filhos órfãos de pais vivos. Diversos hospitais públicos oferecem o serviço de laqueadura (Laqueadura é uma cirurgia para a esterilização voluntária definitiva, na qual as trompas da mulher são amarradas ou cortadas, evitando que o óvulo e os espermatozoides se encontrem) inclusive em Osasco a Maternidade Amador Aguiar oferece o serviço gratuitamente. Estou dizendo isto por que acompanho uma família que a 1 mês atrás tiveram o seu 11° filho sem ter a menor condição de dar o sustento básico, lamentável. Sem contar a gravidez precoce com crianças de 11 anos ou com 15 anos e 3 filhos.

Desemprego e falta de oportunidade – todos os seres humanos passam por momentos bons e ruins em suas vidas. O que não justifica uma mãe jogar ou abandonar seus filhos por falta de emprego ou dinheiro, no entanto, quanto se não tem o mínimo de dignidade, os pais precisam procurar de qualquer maneira uma solução para atender as necessidades básicas e para isso saem a lida sem ter hora para voltar, o que automaticamente deixará os filhos a mercê da sorte. O que obviamente será dessas crianças (desassistidas)? Futuros adultos sem preceitos de valores e raízes. E estes como ensinarão seus filhos? A probabilidade de dar tudo errado é bem grande.


Por fim, existem muitos fatores como psicológico, neurológico, etc, mas, como já disse, o desiquilíbrio está no desamor e na desestrutura familiar. Precisamos nos conscientizar de que a criança e o adolescente precisam de atenção e tempo com seus responsáveis. Conheço gente do alto escalão que tem o respeito de grandes personalidades, de gente da mais alta patente e até da cidade, mas, não o tem do próprio filho (a). Não basta ter um pensamento individualizado ou se preocupar com o próprio umbigo, pois, o futuro depende da gente. Se não lutarmos por políticas públicas melhores ou fizermos campanhas de prevenção e conscientização continuaremos os mesmos críticos em nossas poltronas confortáveis. Portanto, o que acha que fazermos alguma coisa? E aí, vamos arregaçar as magas e ir à luta? Que Deus nos ajude e nos conceda muita sabedoria, por que tem muita gente precisando da gente.

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